A dança das coisas

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A dança das coisas

Mensagem por Byenza em Seg Dez 05, 2016 5:18 pm

Em algum ponto do espaço, em algum ponto do tempo, talvez em um universo paralelo que pode estar tão distante quanto estar perto, há alguém observando. Observando tudo. Observando tudo o que acontece em todo lugar, observando tudo o que acontece em todos os pontos do espaço em todos os pontos do tempo, observando as mais remotas dimensões paralelas e todos os acontecimentos que já aconteceram e ainda acontecerão.

Talvez você possa imaginar esse alguém como um humano, já que provavelmente é a forma com a qual você a inconscientemente vai imaginar e comparar-lhe. Pode pensar nele como você quiser, isso não faz diferença pois seu aspecto físico vai além de possuir uma forma, ele não tem uma forma e tem todas as formas, ele inexiste em sua existência. Podemos nos referir a ele como o Paradoxo.

Naquele momento o Paradoxo em toda sua infinita sabedoria decide convidar a Morte para um jogo de cartas sem regras, criado por ele próprio.

~

– Um momento... – pediu em murmúrio o homem que parecia conduzir o grupo e imediatamente todos obedeceram. Os olhares atônitos, buscavam encontrar o que quer que fosse, mas não viam nada além do musgo preso nas árvores, a lama sob a qual pisavam e a calma água do pântano que os cercava. Não havia sinal de nada.

– O que foi? – logo ousou um Curioso a perguntar, seguido de Silêncio Total. O Primeiro ergueu o dedo indicador voltando a sinalizar um pedido de Silêncio. Nem mesmo ele sabia ao certo o que era, ele também não via nada, mas podia sentir. Alguma coisa estava errada.

Longos segundos se estenderam e só o que podiam ouvir era a respiração uns dos outros. A água pantanosa e lamacenta começou a borbulhar e mais depressa do que puderam acompanhar um pegajoso tentáculo emergiu daquela mesma superfície, prendendo a perna de um Azarado. Perplexos, os outros não fizeram nada; o que podiam fazer? Nunca foi visto nada igual por nenhum deles, nem mesmo no mais louco sonho que já tiveram.

Tremiam de medo, agora tendo entendido o pedido do Primeiro; mas o Primeiro tampouco sabia o que estava acontecendo, não foi por aquilo que pediu por Silêncio. Reagindo só então foi que os mais próximos se afastaram daquela região – mas o que garantia que não estavam cercados por mais Tentáculos? A princípio passos lentos que se transformaram em rápidos e a seguir começou a corrida. A corrida por suas vidas.

Grunhido, baque, grito de socorro. Um novo Soldado que se foi. Maldito atalho, se soubessem o que ali havia certamente teriam preferido desviar-se do Pântano e atravessar o caminho mais longo. Mas agora já era tarde, o caminho de volta provavelmente era ainda mais longo do que o que tinham pela frente, e certamente tão perigoso quanto. Um por um, começaram a armar-se com suas facas ou os frágeis gravetos que pegaram pelo caminho. Inúteis contra aquilo. A cabeça pensava a mil, os pensamentos frenéticos, tão rápido quanto pensando quanto correndo.

Finalmente deixaram o Pântano sem novas perdas, mas incrivelmente abalados com o que viram. Por desgraça do destino, o final daquele atalho levava às propriedades de um rei louco que os confundiu com ladrões. Já estavam na mira dos arqueiros e foi dado o sinal de lançar flechas: todas certeiras.
~

Os Tentáculos enfrentavam dificuldade com suas vítimas. O trio ainda não conhecia a aparência de seu raptor, mas lutavam com toda a vontade que tinham de viver; o Primeiro cortava as pontas pegajosas dos tentáculos que lhe prendiam mas estes voltavam sempre a se regenerar, resultando numa luta contínua que parecia apenas prolongar o inevitável. O Azarado, submergido, chutava cada vez que era puxado até que se soltasse, e por vezes conseguia buscar um pouco de ar para continuar a luta. Todo o barulho que faziam ecoava pelo Pântano, pois, como qualquer um que estivesse ali confirmaria, havia lá o Silêncio Total.

Quando conseguiram escapar por fim, e se viram livres mesmo que momentaneamente dos Tentáculos, foram pelo mesmo caminho que o resto do grupo seguiu. Novamente repito, era o caminho mais próximo para se livrarem do Pântano onde o perigo fantástico parecia residir.

[continua...]
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Re: A dança das coisas

Mensagem por Xoninha em Seg Dez 05, 2016 6:01 pm

Carai vei, curti muito, a introdução do Paradoxo e tal me fez até arrepiar kkkk
achei muito legal, e fora que deu um baita suspense, e to ansioso pra ler a continuação hahahahaha
como eu disse, sabia que você ia fazer uma boa historia
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